domingo, 15 de abril de 2012

Brasil: País Laico?

Que o Brasil é um país laico não é novidade para ninguém, afinal todos nós que nascemos até a década de 80, devemos ter aprendido isso em Moral e Cívica, uma matéria que após sua extinção da rede de ensino trouxe mais prejuízos que proveito para a consciência política do povo brasileiro.
A laicidade do Brasil encontra-se citada na Constituição Federal  de 1988 que diz:
"Art. 19 É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou com seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si."
No entanto será mesmo que uma lei constitucional tão importante quanto esta está sendo seguida na prática por nosso governo nas mais diferentes esferas, ou será que não passa, como tantas outras, de mera tinta no papel com sinais gráficos que parecem ser inteligíveis?
Para responder a essa pergunta devemos primeiro analisar certos pontos que ocorrem por exemplo em repartições públicas.
Ora, se o Estado é laico, isso quer dizer que Estado e Religião não se misturam, porém encontrarmos crucifixos pendurados em paredes de escolas municipais ou estaduais assim como também em tribunais não é muito difícil.

Todavia perguntamos: um juiz que seja judeu poderia substituir tal crucifixo por uma Menorah (candelabro de 7 braços usado muitas vezes como símbolo do Judaísmo)? Um juiz candomblecista poderia ter ao lado de sua cadeira no tribunal um Paxorô (cajado usado por Oxalá)? E um juiz muçulmano, poderia ter a Shahada (Testemunho de fé em árabe) atrás de sua cadeira? É óbvio que se dirá que não há problemas, mas sabemos que na prática isso não funcionaria.
O que ocorre é que agora no governo Dilma houve mais uma injustiça com as demais religiões não cristãs, como inclusive foi denunciado no blog do colega jornalista Paulo Lopes. A Presidente da República Federativa do Brasil, Srª Dilma Rousseff sanciona a lei nº 12.590 de 09 de Janeiro de 2012 em seu artigo 31-A que diz:
"Para os efeitos desta Lei, ficam reconhecidos como manifestação cultural a música gospel e os eventos a ela relacionados, exceto aqueles promovidos por igrejas."
Caro leitor, pense bem... Reconhecida como cultura a música gospel é subsidiada pelo Ministério da Cultura segundo a Lei Rouanet, o que quer dizer que nós muçulmanos, e você: judeu, católico, umbandista, candomblecista, budista e etc... patrocinamos com o dinheiro dos nossos impostos a música de uma denominação religiosa que embora respeitemos, não cremos. Isso vai de encontro justamente com o artigo 19 da Constituição Federal: 
"Art. 19 É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou com seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si." 
Também nos perguntamos sobre algumas manifestações religiosas que ocorrem sob as "asas" do Governo Federal como a Comemoração do Centenário da Assembléia de Deus que embora não seja antirreligioso, é LAICO. Ou pelo menos deveria ser assim. Ocorreria com a mesma facilidade uma reunião de qualquer outra religião com a participação dos Senhores Excelentíssimo Senadores da República? Cremos que não. Assista o Vídeo:
  

Não somos contra a religião protestante, na qual existem líderes religiosos valorosos, mas somos sim contra a parcialidade que favorece a uma religião em detrimento de outras, num país de espiritualidade diversa e que luta, ou pelo menos tenta ir contra a intolerância religiosa.
Se um ou dois grupos recebem privilégios com relação aos demais, onde está a justiça, a igualdade e o respeito? SOMOS LAICOS?

3 comentários:

  1. Deve ser muito bom poder falar livremente contra o país que te permite fazer o que bem entende, que te assegura o direito de ser livre para professar sua fé, seja ela qual for, viver nele, usufruir dele e ainda assim meter o malho. Bom mesmo deve ser para um cristão viver numa república islâmica, bom mesmo deve ser viver nos países em que as igrejas são alvos de ataques terroristas, lá há piedade, igualdade e misericórdia, não é mesmo? Afinal, em um país de maioria islâmica tudo é tão perfeito, muçulmanos são perfeitos assim como seus governos, justos como Deus! Não compreendo porque para divulgar o Islam é necessário citar a Torá e a Bíblia Sagrada, uma vez que foram corrompidas (segundo o Islam), não tem valor algum... Para se auto promover é preciso diminuir a religião alheia? E tanto se fala em tolerância religiosa por parte dos muçulmanos, não as vejo em ações propriamente ditas. Uma outra pergunta que faço a mim mesma é: Se nem todo muçulmano é árabe, porque usar vestimentas tipicamente árabes? (Glória à Deus aqui você pode, enquanto eu cristã não posso visitar o Irã usando vestido) Isso te faz mais e/ou melhor muçulmano Omar? Qual é o ponto real?

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    1. Salam Alaykum!

      Usufruir dos meus direitos são meus direitos e pago por eles! Malhar quando estes direitos me são negados e quando vejo que a administração do meu país carece de maior responsabilidade e principalmente de honestidade, também é meu direito e pago por eles!... Se você está satisfeita com a corrupção do país, também é seu direito! Cada qual se satisfaz com o que lhe convém!...

      O engraçado é que as "pessoas boazinhas, satisfeitinhas com o país" também amam usufruir dos direitos conquistados através daqueles que, como eu, criticam o que está errado e querem mudar a vergonha da injustiça social e da desonestidade dos políticos que nos governam... Não vejo nada de errado em mostrar o que precisa melhorar e tentar me fazer ouvir! Se ninguém disser que está ruim, nunca vai melhorar, nunca ninguém vai consertar, pois vão todos pensar que está tudo certo, quando na verdade sabemos muito bem que não está!...

      NÃO HÁ "PAÍSES ISLÂMICOS", "PAÍSES DE GOVERNO ISLÂMICO", há países de maioria islâmica cujo governo não tem NADA de islâmico! (Que fique bem claro!).

      Uma vez no Egito, houve um ataque onde uma igreja foi danificada (tanto quanto a mesquita ao lado) por um ataque de bombas... Cristãos coerentes não danificariam uma igreja, por que cristãos teimam em achar que muçulmanos coerentes danificariam uma mesquita? Enquanto isso, a Israel tão "coitadinha de todos os cristãos", barbariza as "sinagogas" e os rabinos que são contra sua existência... Ahhh, mas eles tudo podem pois são o "povo escolhido de Deus"... Faça-me o favor! Vocês criticam o que não sabem, pois tudo isso é político, mas empurram o "velho enlatado" de que tudo é conflito religioso e como vocês preferem engolir enlatado a pesquisar e se informar de fato, falam abobrinhas das quais nem sabem... Deprimente!...

      Quanto a citar a Torah e a Bíblia (que ORIGINALMENTE eram a palavra de Deus/ antes de sofrerem adulteração). Qual seria a melhor maneira de mostrar, a quem não crê no Quran, o que Deus requer de nós? E como mostrar as inconsistências também sem citar os trechos em questão?... Quem disse que a Torah e a Bíblia não tem valor algum foi você!... Nós dizemos que foram ORIGINALMENTE reveladas por Deus para os profetas de Deus, que eram exemplos de conduta (e não o que as "escrituras corrompidas" dizem sobre eles)!

      O Islam não precisa se "auto-promover", nosso intuito no A Nova Cruzada é apenas nos defender de pessoas que, como você, nos agridem a todo custo. Onde está a sua tolerância?...

      O Irã não é sequer um país de maioria muçulmana, visto que são "xiitas" e os xiitas não representam os muçulmanos (mesmo que se digam muçulmanos).

      O traje em questão não é propriamente árabe. Jesus não era árabe e se vestia dessa forma. Os judeus do Iêmem, não são muçulmanos, e também se vestem desta forma!... O muçulmano procura seguir o exemplo dos profetas, quer em suas atitudes, quer em suas vestimentas (mas o traje para os homens não é obrigado). Usar um traje sunnah não faz ninguém mais ou melhor muçulmano, mas demonstra a intenção em ser melhor ao tentar se aproximar em tudo do que os profetas faziam e ensinavam. Este é o "ponto real"!

      Ma Salam.

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